House pelos motivos errados
Saturday, April 14th, 2007Uma das séries mais ousadas da TV, House venceu mesmo cometendo o pecado de não ter um protagonista simpático. Mais ainda; ele faz questão de não ser simpático. Isso é errado. Ele é um médico de TV. Médicos de TV devem ser humanos, caridosos, devem se envolver pessoalmente com cada paciente. Acalentar e entender.
Médicos de TV devem ser bonitos e bem arrumados, como o Doug Ross ou aquele médico croata de E.R. que se entrar em uma sala onde já esteja um ente do sexo feminino os higrômetros num raio de trinta metros explodem.
Já House fica olhando pros peitos da chefe.
Eu acho o sucesso da série um pouco esquisito, pois o protagonista é a representação do maior medo de muita gente: um sujeito extremamente competente e inteligente. Ciente de suas capacidades e sem nenhum problema em lembrar aos outros disso.
House é antes de tudo um misantropo. Ele não gosta de gente. Por isso não tolera racismo e discriminação. Considera isso uma espécie de favorecimento. Seria dar especial atenção a um grupo.
Pessoas assim são solitárias por opção. É a coisa do melhor só que mal acompanhado. Mas isso não quer dizer que House não tenha amigo. Tem. Um. Que sofre mais que os pacientes. Em compensação com o House ele pode se soltar, coisa que não faz o resto do dia.
O problema quando você é bonzinho é que querem que você o seja o tempo todo.
O tipo de personagem House está aparecendo mais e mais. Hoje além dele temos o dr Cox, em Scrubs e o excelente Shark. Eles não são tão radicais quanto House mas cumprem seu papel.
Um detalhe curioso é que a maioria das mulheres assiste House atrás de mostras de humanidade, momentos de fraqueza e emoção, pra poderem dizer “eu não disse?”.
Quase como o Luke no Império Contra-ataca. “eu sinto que ainda há bem nele”. Bem, meninas, desculpem, sei que está no DNA feminino tentar regenerar canalhas mas House está melhor do jeito que está. Não tentem achar que o que atrai vocês nele hoje existirá se ele se tornar um homem gentil carinhoso e trocador de fraldas.
A definição de misantropo dada acima na verdade está errada. Não é que não gostemos de ninguém. Só somos muito seletivos. Quem quiser se aproximar terá que chamar nossa atenção. Mostrar-se digno de nosso tempo.
Soa arrogante, desnecessário e metido? Tudo bem. Não fazemos questão de sua aprovação.